O Céu de Ícaro

Porque o céu de Ícaro tem mais poesia que o de Galileu

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The me inside of me

I'm damaged
I'm broken
I malfunction
But I'm trying
Not to fix myself
But to accept my wrongness
And to find someone who accepts me
This damaged
This broken
This wrong

Look into my eyes and try to see my soul
Find me in the depths of me
Save me from drowning into my own
Drowning in this hole
Hollow
Bottomless
Cold

If you find me down there
Give me your hand
And your heart
And your smile
Don't let me go   
        
Blaze the fire of life
Take me away
Anywhere
Because anywhere is better
With you
With me
Without the me inside of me

Primeiro haikai

Ninguém me chama
Correspondo
E não respondo

Poema a ser ampliado

Nota do escritor: leia em voz alta, pois ficou um tanto musical.

Duas coisas bem distintas
Entre a mente e o coração
Que bagunçam nossas vidas:
Uma é o amor, outra é a paixão

Pois, o amor é racional
Puro, simples, mas imenso
Já a paixão é um animal
Belo, selvagem, intenso

Triste é quem nunca sentiu
Um dos dois nascer no peito
Ou toda a vida mentiu
Ou nunca viveu direito

Um sorriso

Entre sonhos obscuros me encontro
Paro
Tremo
Respiro
Não mais
Ar

A escuridão me envolve
E, tomado pelo medo, grito
Sem voz
Sem coragem
Sem nada

Me entrego, então
Às garras das trevas
Deixo-me ser consumido
Por ela
Por isso
Por mim
Por ninguém

Mas, como uma miragem
Um sorriso me devolve a sanidade
E por ele luto
Por ele volto
Por ele...
Tudo

Sinceramente

Amar-te-ei, minha cara
Sinceramente
Incondicionalmente
Serei teu
E tu serás minha

Enquanto durar
Essas duas horas
E esses cento e vinte reais
Amar-te-ei
Como se fosses a única

Apenas eu

Sou apenas eu,
Mas em mim você encontrará mais pessoas, mais leminskis e mais camões.
Sou apenas eu,
Mas não por completo.

Quanto tempo dura o amor?

Estavam os dois ali, em silêncio, ele fumando na janela e ela sentada na poltrona tentando chorar baixo. Apenas a luz da lua iluminava timidamente os dois.
Naquele momento, odiavam um ao outro, e cada um, a seu modo, odiava a si mesmo.
Ele observava a rua lá embaixo. Viu um casal jovem passeando de braços dados enquanto sorriam de forma boba. Ela estava com a jaqueta dele, enquanto ele tentava fingir que não estava com frio. "Coitados." - pensou ele com ar blasé - "Condenam-se, sem perceber, a uma vida miserável. Estão tão estupidamente entorpecidos que não veem a infelicidade os espreitando na esquina. Aproveitem, estúpidos, aproveitem sua embriaguez amorosa enquanto podem, pois um dia acordarão e perceberão que estavam dormindo com o inimigo".
Ela se esforçava para que, entre um acesso e outro de choro, não soluçasse alto demais para que ele ouvisse, não queria dar-lhe o prazer de perceber que sofria. Claro que, diante da atual situação e do que vinha acontecendo nos últimos tempos, surpresa seria se ele ainda notasse que ela estava viva: "Foi minha culpa?" - lamentava-se - "Será que eu deixei que nosso relacionamento caísse na inércia, nos distanciando cada vez mais? Ou será que ele foi deixando de gostar de mim e eu não percebi? Burra! Como pôde deixar tudo ruir assim? Como foi acreditar que sua vida fosse ser para sempre como um conto de fadas? Contos de fadas existem por um motivo, para nos fazer esquecer nossa vida miserável. Eles são o ópio que necessitamos para prosseguir em nosso mundo cinza. Mas não posso me martirizar sozinha, afinal, um relacionamento se faz a dois, não é? O que ele fez enquanto via nosso barco afundando? Ele apenas se sentou na proa e o viu afundar, esperando que o lado onde eu estava afundasse primeiro. Ele é um homem de prazeres simples, sempre o foi, mas hoje, seu prazer se resume em me ver pior que ele".
Ele viu pelo reflexo da janela que o rosto dela estava molhado: "Criatura patética. Pensa que pode me comover com essas lágrimas falsas. Como pude me envolver com um ser tão desprezível quanto esse? Estaria eu tão cego pela tal da paixão que não percebi a verdadeira face dela? Ok, chega de tentar reviver o passado, o que está feito, está feito, agora devemos continuar com nossas vidas".
Ela, percebendo que ele desviara o olhar quando olhou para o reflexo no vidro, enxugou as lágrimas e sentou-se em posição mais confiante: "Está selado. Fomos ambos negligentes o bastante para deixar que nosso amor se esvaísse como areia entre os dedos. Fomos tolos o bastante para acreditar que ele duraria para sempre".
Ela começou a recordar a primeira noite em que saíram juntos. Era um dia frio de julho, ele a encontrou na praça, perto de onde eles moram atualmente. Ela estava tão animada pelo fato de ter um encontro com ele, que nem se deu conta do frio, foi notá-lo apenas mais tarde, já na praça. Quando ele chegou, abraçou-a com carinho, deu-lhe um beijo suave no rosto e depois, quando quase tocavam-se os lábio, ele notou que ela tremia. Prontamente, tirou sua jaqueta e a envolveu sobre os braços dela. Caminharam de braços dados pela rua, a mesma onde moram hoje. Lembra-se de que, enquanto caminhava juntinhos, extasiados apenas por estarem perto um do outro, ouviram um velho irritado gritar do quinto ou sexto andar de um prédio: "IDIOTAS! PENSAM QUE ISSO VAI DURAR PARA SEMPRE? NÃO VAI! VOCÊS ESTÃO FADADOS A UMA VIDA DE DECEPÇÕES. VOCÊS SE ABRAÇAM AGORA, MAS DAQUI ALGUNS ANOS, SENTIRÃO ASCO UM DO OUTRO!". Ela lembra-se ainda de olhar para aquele velho perplexa e depois olhar para seu amado e perguntar com um ar meio jocoso: "Você acha que a maldição dele pode nos afetar?", "De forma alguma." - ele respondeu - "O amor é imutável, inflexível. Se o que temos é amor, então não temos com o que nos preocupar".
Não era amor, afinal. Eles estavam certos, o velho e ele: o amor é imutável, incorruptível, inesgotável... Se o que eles tinham havia-se ido, então não era amor, era qualquer outra coisa, mas, definitivamente, nunca foi amor.
Ela respirou fundo, precisava se recompor e continuar a vida, mas, quando ia se levantar, assustou-se com o berro que ele deu a alguém que passava na rua: "IDIOTAS! PENSAM QUE ISSO VAI DURAR PARA SEMPRE?...".

Entre Leminski, Drummont e Pessoa

E aqui me encontro
Entre Leminski, Drummont e Pessoa
E de Pessoa em pessoa me detenho
E entre o silêncio e a fala me abstenho
Mas, ao escrever, minha mente voa
Entre versos meu pensamento ecoa
Meu coração desmorona com o ponto.
Minha métrica é errada e minha rima não encaixa
Mas não quero ser poeta, apenas escrevo o que meu coração tolo acha.

Enquanto piscamos

Abriu os olhos... pela primeira vez
Olhou ao redor, não conseguiu manter o foco
Procurou a mãe, não encontrou
Chorou
Sentiu fome, o alimentaram

Piscou

Assistia televisão e pela primeira vez conseguia identificar as letras
Leu.
De repente sua curiosidade era maior que antes
Começou a querer aprender mais coisas

Piscou

Encontrou a garota que sempre gostou
Se olharam longamente
Beijaram-se

Piscou

Estava indo para a faculdade
Trabalhava mais do que gostaria para pagar o curso

Piscou

Tinha um emprego que não era o do seus sonhos, mas pagava bem

Piscou...

...pela última vez.


Endless nights

Endless night of endless sorrow
Lights shine bright, but for me they are far away
Not my thing this so called sadness
It seems all is in colours, and I'm the one gray
All I want is a little less
Of me feeling my heart is so hollow

Crianças do SubMundo

Crianças do Submundo, qual sua motivação?
Quem estará lá quando seu dia chegar?
Onde decidirá repousar seus pés após a luta acabar?
Vocês terão finalmente seu pedaço de chão?

Sua luta não é banal, sua determinação é absoluta.
Queríamos tanto, e tão pouco nos foi dado.
Demos tudo o que tínhamos, e tudo o que tínhamos nos foi tirado.
Questionam o que fazemos, mas o que nos fazem, ninguém pergunta.

Crianças do subMundo, podemos perder o que não temos?
Podemos esquecer nosso passado?
Nosso futuro é nosso presente.

Caçador

Congela, coíbe, carece...
Caça teus desejos, te faz parar
Camufla-se de anjo: câncer carnívoro
Canta, encanta e mata.

Como corpo vivo,
Caminha, capta, consome...
Contigo, onde você estiver
Criador de depressivos, canibal.

Cava sua cova,
Cria sua alcova,
Corpo altivo que canta suas dores,
Castiga seus pecados e impede-te de ser.

Cativa sua alma,
Contém seus sonhos,
Cumpre o que não foi prometido.
Contemple e não se assuste,
Este é apenas seu medo.

Aos 15

Sentia eu, somente pela ultima vez,
Essa tal realidade,
Queria eu viver bem com isso,
Ou não! 

Já não sei se é verdade,
Se sinto, ou não,
Jamais saberei falar de sentimentos, 
Muito menos dessa loucura,
Eu deveria enlouquecer?

Versos curtos e sem sentido é o que tenho,
E percebo que me deprecio ao longo do dia,
Procurando uma inspiração que não existe,
Que me dá medo!

Aos 15, sem vontade de me enquadrar,
Me prendendo aos meus pensamentos, 
Que me afundam, ou talvez me tragam à superfície,
Junto daquelas pessoas,

Eu queria traze-las ao meu jardim, 
Fazer com que vejam a sequidão de meus pensamentos,
Pensamentos que as condenam!
Infames, vivam como eu!
Ou não, dê-me espaço
Preciso pensar.


Escrito por: Heloísa Oliveira

Cela

Vejo luzes, ouço vozes
O coração bate veloz
Sei que são os meus algozes
Porém nunca calarão minha voz



O último minuto

Em face à morte me encontro
Entre delírios me vejo distante
Miro minha vida em cada instante
E meu passado em detalhes reconto

Seria isso castigo ou recompensa?
Ver a vida como a um filme francês
Recordar meus amores ao revês
E sentir essa dor que é intensa

Tudo eu encontro neste dia final
Sejam elas belas ou mesmo tétricas
Obrigam-me a assistir de camarote

Neste mar de imagens cadavéricas
Vejo do nascer à minha morte
Memórias de uma vida terminal

Silêncio

No momento em que olho pra você
Vejo seu olhar que me ignora
Sua voz que me apavora
Sua alma que me adora

Acho tão difícil entender
Como posso eu te olhar
Ouvir sua alma gritar
Sem uma palavra falar

Imagino que seja assim, afinal:
Você me diz sem falar,
Eu te ouço sem escutar
E nos entendemos no final.




Te desenho

Com meu traço te desenho
Seus olhos, sua boca, seu rosto...
Cada linha te faz mais bela.
Escolho com cuidado cada forma
E em você, minha obra-prima ganha vida.
Te contorno com nanquim e te faço forte
Calculo suas medidas e alcanço a proporção perfeita.
Carrego comigo meu caderno de desenhos
E sempre que te quero, passo as páginas e te deixo animada. 

Seja


Inauguro aqui, neste primeiro dia do ano, o primeiro poema do ano. Acredito que os próximos serão melhores, afinal, estou há muito tempo sem escrever, e como um poço há muito sem uso, minha criatividade está transbordando, mas a água ainda esta um pouco barrenta.
Espero que gostem do que virá, e que sigam essas singelas palavras.

Seja vida
Seja o que quiser ser, tudo que sonhar
Seja ainda
Tudo que puder ser; seja terra, seja mar
Seja lida
Cada palavra tua, cada gesto, cada olhar
Bem vivida
Seja sua vida, cada dia ao acordar.